Bonito ganhou uma obra que a população esperava há décadas. O rodoanel, oficialmente chamado de anel viário, vai criar um caminho alternativo para veículos pesados contornarem a cidade sem precisar passar pela área central. Para quem mora em Bonito ou visita com frequência, sabe bem o que isso significa: menos carretas pela Rua das Flores e adjacências, menos barulho, menos risco, menos congestionamento.
Neste artigo você vai encontrar tudo sobre o projeto: o que está sendo construído, o traçado, quanto custa, o que já aconteceu e o que muda para o turismo e para o dia a dia da cidade.
O que é o rodoanel de Bonito
O anel viário é uma rodovia de contorno que liga dois pontos da cidade sem passar pelo perímetro urbano. No caso de Bonito, o projeto conecta a MS-382 (saída para Bodoquena) à MS-178 (saída para Guia Lopes), passando pelo lado sul e leste da cidade, com extensão de 7,6 km no trecho principal.
O objetivo é tirar o tráfego de caminhões e veículos pesados da área central, especialmente da Rua das Flores, por onde o trânsito pesado cruzava a cidade entre as rodovias MS-178 e MS-382. Segundo dados citados pelo Governo do Estado, mais de 500 caminhões por dia faziam esse trajeto dentro do perímetro urbano.
Por que essa obra é necessária
Bonito é o principal destino de ecoturismo do Mato Grosso do Sul e um dos mais conhecidos do Brasil. A cidade recebe centenas de milhares de turistas por ano e tem uma infraestrutura urbana que não foi projetada para conviver com o volume de veículos pesados que trafega pelas rodovias da região.
O problema é estrutural: as rodovias MS-178 e MS-382 se encontram dentro do perímetro urbano, e qualquer caminhão que venha de Bodoquena e siga para Guia Lopes, ou vice-versa, precisa necessariamente passar pelo centro da cidade. Isso cria uma situação incompatível com o perfil de um destino turístico consolidado: trânsito pesado misturado com fluxo de turistas, pedestres, ciclistas e moradores.
O rodoanel resolve isso criando um caminho alternativo externo, que desvia os veículos pesados sem que precisem entrar na cidade.
Como o projeto avançou: uma linha do tempo
As negociações têm mais de cinco anos de história e passaram por várias etapas antes de chegarem ao início das obras em 2026.
O prefeito Josmail Rodrigues levou o pedido ao então governador Reinaldo Azambuja durante o programa "Governo Presente". Primeiro passo formal para que a obra entrasse na agenda do Estado.
Projeto técnico do anel viário apresentado em audiência pública. Início das tratativas com proprietários rurais na rota do rodoanel.
Processo de desapropriação de áreas, com realocação de 60 famílias que viviam de forma irregular na região da rotatória da Vila Machado, no entroncamento da MS-178 com a MS-382.
Desapropriação oficial da Fazenda São Domingos, um dos terrenos necessários para o traçado da obra.
Governador Eduardo Riedel confirmou o investimento de R$ 48 milhões para o rodoanel, mais R$ 20 milhões para pavimentação de sete bairros do município.
O Imasul emitiu a licença prévia autorizando a instalação do anel rodoviário, com extensão confirmada de 9,7 km (incluindo viaduto e acessos). Prazo de cinco anos para conclusão.
A Agesul abriu a primeira licitação, com valor de R$ 51,2 milhões. O processo terminou fracassado: todas as empresas foram inabilitadas por não comprovarem capacidade técnica.
Segunda licitação aberta, com sessão de abertura em 11 de agosto de 2025.
Ordem de serviço assinada pelo governador Eduardo Riedel. As obras do anel viário foram oficialmente iniciadas em cerimônia realizada no trevo da MS-178 com a MS-382. A obra começa pelo Ramo Sul. O investimento de R$ 51,2 milhões inclui quase R$ 6 milhões destinados a mecanismos de proteção à fauna — um reflexo do compromisso ambiental que a obra exige em Bonito.
Qual o traçado do rodoanel
O anel viário parte da rotatória na saída para Bodoquena, contorna a morraria pelo sul da cidade, passa pelo lado leste e se conecta novamente com as duas rodovias na saída para Guia Lopes, na altura da entrada do Aquário Natural, já na MS-178.
O projeto prevê:
Quanto custa e quem paga
O investimento total é de R$ 51,2 milhões, conforme o edital publicado pela Agesul. A obra é integralmente financiada pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, executada por meio da Agesul. A Prefeitura de Bonito atuou como reivindicadora e articuladora do projeto ao longo de cinco anos de negociações.
O que muda para o turismo em Bonito
Para quem trabalha com turismo em Bonito, os impactos são diretos e positivos.
Situação atual: obras em andamento
Em 24 de abril de 2026, o governador Eduardo Riedel assinou a ordem de serviço e deu início oficial às obras do rodoanel de Bonito. A construção começa pelo Ramo Sul, o trecho que liga a MS-382 à MS-178 contornando a cidade pelo sul. O evento integrou um pacote de R$ 84,4 milhões em investimentos para Bonito, que incluiu também pavimentação de bairros, reforma de escola estadual e ampliação do saneamento básico.
Conclusão
O rodoanel de Bonito deixou de ser promessa. Depois de mais de cinco anos de negociações, licenciamento ambiental, duas licitações e uma ordem de serviço assinada, as máquinas já estão em campo. É uma obra que vai além da infraestrutura viária — é uma decisão que reconhece o perfil de Bonito como destino turístico e cria condições para que a cidade continue crescendo com mais qualidade de vida para quem mora aqui e com melhor experiência para quem visita.
Fontes: Prefeitura Municipal de Bonito, Campo Grande News, Perfil News, Rota Bioceânica, O Pantaneiro, Agesul, Imasul. Atualizado em junho de 2026.



