Fachada do Bonito HI Hostel e Pousada em 1997
Memórias do fundador · Parte 1

A história do Bonito HI Hostel

Como uma mudança de vida, um terreno ainda sem árvores e muita persistência deram origem, em 1997, a um dos hostels mais tradicionais de Bonito, Mato Grosso do Sul.

Relato de Luiz Octavio Campos Leitura aproximada: 12 minutos Bonito-MS

Uma história contada por quem viveu

Do desejo de mudar de vida ao projeto de um hostel em Bonito

Meu nome é Luiz Octavio Campos, fundador do Bonito HI Hostel. Durante muitos anos, hóspedes, amigos, familiares e funcionários me pediram para registrar como nasceu o antigo Bonito Albergue da Juventude, ainda na década de 1990.

Sou engenheiro civil e de segurança. Nasci em São Paulo, em 1954, e passei boa parte da vida trabalhando com construção. No início dos anos 1990, já não queria continuar na capital. Procurava mais qualidade de vida, segurança e um projeto que também pudesse construir um futuro para os meus filhos.

Primeiro fui para o interior paulista. Em 1996, mudei definitivamente para Bonito, uma cidade que eu havia conhecido por acaso alguns anos antes. Naquela época, muita gente achou que eu estava tomando uma decisão arriscada. O destino ainda não tinha a fama nacional que tem hoje, o acesso era mais difícil e a ocupação turística era bastante irregular.

Mesmo assim, eu acreditava no potencial do turismo de natureza e em um modelo de hospedagem econômica, acolhedora e voltada à convivência entre viajantes. O hostel não nasceu de uma casa adaptada: ele foi planejado desde o terreno para funcionar como hostel.

Cada nota deixa em cada um de nós uma lembrança, mas é a melodia inteira que conta uma história. Frase que acompanha as memórias do fundador

Neste primeiro capítulo

Da primeira visita à abertura das portas

A Parte 1 acompanha o caminho entre o primeiro encontro com Bonito, a escolha do terreno, a construção, a chegada dos primeiros hóspedes e os desafios dos primeiros anos.

Linha do tempo

Os momentos que deram forma ao Bonito HI Hostel

1989

Primeira passagem por Bonito

Luiz entra na pequena cidade enquanto buscava um caminho de volta para São Paulo depois de uma pescaria no Rio Miranda. A visita foi rápida e ele ainda não conheceu os atrativos naturais.

1993

As primeiras imagens dos rios e da gruta

Fotos trazidas pelos pais e reportagens sobre a região revelam um lado de Bonito que ele ainda não conhecia: rios transparentes, cavernas e um turismo de natureza começando a ganhar espaço.

1995

A viagem que mudou o destino

Uma nova passagem por Bonito inclui flutuação no Rio Formoso, visita à Gruta do Lago Azul, Rio Sucuri e passeio de bote. O plano de trabalhar com pesca no Pantanal perde força.

1996

Mudança e início da obra

Depois de estudar o modelo da Hostelling International, Luiz escolhe o terreno, desenvolve o projeto como engenheiro e começa a primeira etapa da construção.

1997

Nasce o Bonito Albergue da Juventude

Após cerca de dez meses e meio de obra, o hostel recebe o credenciamento e seus primeiros hóspedes internacionais: três viajantes holandeses que chegaram no ônibus noturno, conforme o relato da inauguração.

1999

Primeira ampliação e início da internet

Novos quartos, banheiro para a área de camping, piscina e a chegada da conexão discada marcam o começo de uma nova fase.

Praça da Liberdade em Bonito MS em fotografia antiga
Praça da Liberdade em outra épocaUm registro antigo do centro de Bonito, quando a cidade ainda tinha pouca estrutura turística e muitas ruas sem pavimentação.
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1989

O primeiro encontro aconteceu por acaso

Luiz conheceu Bonito enquanto retornava de uma pescaria esportiva no Rio Miranda. Ele e o companheiro de viagem entraram na cidade procurando um caminho mais curto para São Paulo.

Era agosto de 1989. Bonito ainda tinha muitas ruas de terra, pouca estrutura urbana e uma economia ligada principalmente à agricultura e à pecuária. A parada foi curta e não incluiu rios, cachoeiras ou cavernas. Naquele momento, Luiz saiu sem imaginar que alguns anos depois moraria ali.

Em uma passagem posterior, recebeu de um morador o convite para conhecer uma gruta e um passeio de cachoeiras, mas a pressa para chegar à pescaria falou mais alto. O cartão de visitas ficou guardado dentro de um Guia Quatro Rodas e acabou sendo importante anos mais tarde.

Um detalhe curioso: a primeira impressão não definiu a história. O que parecia apenas uma pequena cidade no caminho se tornaria o lugar escolhido para um projeto de vida.
Bonito Mato Grosso do Sul em fotografia antiga
Bonito antes da consolidação do turismoA cidade ainda era pequena e simples quando os rios transparentes, as cavernas e as primeiras reportagens começaram a atrair visitantes.
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1993 a 1995

As imagens que despertaram a curiosidade

Em 1993, os pais de Luiz passaram por Bonito e voltaram com fotografias da região. Foi quando ele percebeu que perto das rotas de pescaria existiam a Gruta do Lago Azul e rios de grande transparência.

Reportagens de televisão e jornal aumentaram a curiosidade. Em outubro de 1995, durante uma viagem em direção ao Pantanal, ele decidiu parar antes em Bonito para conhecer os lugares que tinha visto nas imagens.

A experiência incluiu atividades no Rio Formoso, visita à Gruta do Lago Azul, flutuação no Rio Sucuri e passeio de bote. A ideia inicial de comprar uma embarcação e trabalhar com pescadores no Pantanal começou a perder sentido.

Em uma nova visita, surgiu a sugestão de criar uma hospedagem voltada aos estrangeiros que começavam a chegar. Luiz lembrou dos hostels europeus e procurou, em São Paulo, a associação ligada à Hostelling International.

1.300 kmDistância aproximada percorrida de carro desde São Paulo naquela viagem.
4 passeiosExperiências que ajudaram a mudar os planos em poucos dias.
1 ideiaUma hospedagem econômica para brasileiros e estrangeiros.
“Eu já não pensava apenas em visitar Bonito. Começava a imaginar como seria viver e trabalhar ali.”Memórias de Luiz Octavio Campos
Montagem com fotografias antigas da cidade de Bonito Mato Grosso do Sul
Bonito antes de se tornar um destino nacionalRegistros antigos ajudam a entender o cenário encontrado por Luiz Octavio: uma cidade pequena, com estrutura simples e um turismo de natureza ainda no começo.
Construção do redário e da área de convivência do Bonito HI Hostel e Pousada
O redário ainda em construçãoA área de convivência foi planejada desde o início para oferecer sombra, descanso e integração entre hóspedes de diferentes lugares.
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O terreno e a planta

Não foi uma casa adaptada: o hostel nasceu no papel

Depois de receber a autorização ligada à rede de albergues da juventude, Luiz passou uma semana percorrendo as ruas de Bonito e estudando a pequena área urbana. Com a ajuda de um corretor, definiu a região onde gostaria de comprar e encontrou o terreno.

A experiência como engenheiro foi decisiva. O projeto considerou os pontos positivos e negativos observados em muitas hospedagens ao longo da vida, além da filosofia da Hostelling International: áreas comuns, convivência, preços acessíveis e contato entre pessoas de diferentes lugares.

Naquele terreno quase não havia sombra. Por isso, a obra começou pelo salão de convivência e jogos, que serviria de abrigo durante a construção e, mais tarde, como um dos principais espaços de encontro dos hóspedes.

As árvores que hoje fazem parte do ambiente ainda eram pequenas — e várias foram plantadas depois da inauguração. O aspecto arborizado atual é resultado de décadas de crescimento e cuidado.

Trabalho, improviso e estrada

Dez meses e meio de obra e as primeiras “Kombosas”

Foram cerca de dez meses e meio de dedicação à primeira etapa da construção. Luiz acompanhou cada parte da obra e tomou decisões que iam da estrutura à decoração. O dinheiro apertou, alguns bens precisaram ser vendidos e a ajuda da família foi importante para concluir o projeto.

Durante a construção, uma Kombi comprada para abastecer o hostel começou a cumprir outra função. Bonito ainda não tinha a rede de vans e micro-ônibus atual, e levar turistas aos atrativos era um dos maiores problemas da época.

As poucas agências começaram a solicitar o veículo para grupos maiores. Assim, antes mesmo de o hostel estar totalmente consolidado, o transporte de viajantes já fazia parte da rotina.

Construção da fachada do Bonito HI Hostel e Pousada em 1997
A fachada tomando forma em 1997Registro da primeira etapa da construção do então Bonito Albergue da Juventude, projeto acompanhado de perto por Luiz Octavio Campos.
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Viagens muito diferentes das atuais

Os trajetos eram feitos por estradas com trechos de terra, poeira na seca e lama nas chuvas. Paradas para descansar, fotografar animais ou resolver um atolamento faziam parte da aventura.

🌿

O transporte aproximava as pessoas

Além de ajudar nas despesas, dirigir para os passeios permitia conhecer os hóspedes, ouvir histórias, explicar a região e perceber o que o viajante precisava ao chegar a Bonito.

🧭

Uma operação construída na prática

Não havia aplicativos, reservas instantâneas ou mapas no celular. Cada deslocamento dependia de contatos locais, conhecimento das estradas e muita adaptação.

🤝

Hospitalidade além do quarto

Buscar viajantes na rodoviária, levá-los aos atrativos e ajudar com informações foi dando ao hostel uma característica que permanece: atendimento próximo e apoio durante toda a viagem.

Abertura das portas

A inauguração aconteceu sem festa e sem data marcada

Uma representante da associação de hostels veio de São Paulo, conferiu os ambientes, verificou os itens exigidos e comunicou o credenciamento do então Bonito Albergue da Juventude.

Depois da vistoria, surgiu uma pergunta prática: quem seriam os primeiros hóspedes? A resposta estava no ônibus noturno vindo de Campo Grande.

Luiz e Maria José “Zezé” Giaretta foram até a antiga rodoviária. O ônibus chegou atrasado, coberto pela poeira dos trechos sem pavimentação. Dele desceram três viajantes holandeses: um casal e outro rapaz. Sem cerimônia, eles se tornaram os primeiros hóspedes e inauguraram o hostel.

O começo foi simples, mas representava a realização de um projeto construído desde o terreno.

Fachada do Bonito HI Hostel e Pousada no ano de 1997
Fachada em 1997A estrutura que recebeu os primeiros hóspedes do então Bonito Albergue da Juventude.
3viajantes holandeses marcaram a inauguração

O início de verdade

Poucos hóspedes, ônibus empoeirados e muita persistência

O credenciamento não significou lotação imediata. Bonito ainda era pouco conhecido, o hostel não aparecia nos principais guias e não existia internet disponível como ferramenta comercial. Para apresentar a hospedagem, Luiz ia à rodoviária esperar os ônibus que chegavam de Campo Grande.

Os veículos eram apelidados de “poeirinha”. Parte da estrada ainda não tinha asfalto, o calor era intenso e a bagagem chegava coberta de pó. A cada ônibus, o fundador conversava com os passageiros e convidava os viajantes para conhecer a nova hospedagem.

No primeiro verão, a ocupação oscilou muito. Depois de um Natal com poucos hóspedes e um janeiro movimentado de forma irregular, fevereiro chegou a ter apenas um viajante hospedado por um longo período. Um grupo levado pela associação durante o Carnaval ajudou a manter a operação naquele momento difícil.

Pouco depois, um ônibus trouxe um grupo de 17 israelenses. Outros amigos do grupo chegaram nos dias seguintes, enchendo o hostel de novos idiomas, hábitos e histórias. Esse contato com hóspedes de diferentes países confirmou que a proposta de integração fazia sentido.

Luiz Octavio Campos com hóspedes do Bonito HI Hostel e Pousada
Convivência que sempre fez parte do hostelLuiz Octavio Campos ao lado de hóspedes, em um registro que representa a troca de histórias e culturas presente desde os primeiros anos.
No começo

48 leitos

Capacidade inicial aproximada antes das primeiras ampliações.

Sem internet

Divulgação presencial

Rodoviária, telefone, jornais, revistas e recomendações dos hóspedes.

Mundo inteiro

Novas culturas

Holandeses, israelenses, irlandeses e viajantes de várias regiões do Brasil.

Todos os dias

Aprendizado prático

Hospedagem, transporte, idiomas, divulgação e atendimento eram construídos juntos.

Piscina e estrutura atual do Bonito HI Hostel e Pousada
O hostel hojeA estrutura cresceu, ganhou piscina, mais acomodações e novos serviços, preservando os espaços de convivência.
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Divulgação e crescimento

Antes do Google, era preciso conquistar cada espaço

Sem internet, a divulgação dependia de telefonemas para redações, envio de fotografias, matérias em jornais e revistas e presença em guias de viagem. O hostel começou a aparecer em reportagens sobre Bonito no final dos anos 1990.

Uma conversa acompanhada por Luiz marcou sua visão sobre marketing. Diante de um empreendimento que acreditava não precisar mais de propaganda porque já vivia lotado, uma jornalista perguntou: “A Coca-Cola deixou de anunciar por ser conhecida?”. A lição ficou: divulgação não deve parar quando as coisas melhoram.

Em 1999 veio a primeira ampliação, com novos quartos e estrutura para uma pequena área de camping. Depois chegaram o poço, a piscina e a conexão discada. A internet era lenta e instável, mas abriu uma nova fase para o contato com viajantes.

Nos anos seguintes, a operação também passou a reunir hospedagem, orientação de passeios e transporte, tornando mais simples a organização da viagem de quem ficava no hostel.

“Tudo que é conseguido com trabalho, planejamento e persistência ganha mais valor e dura mais tempo.”Uma das principais lições desta primeira parte

Uma história que continua

De um terreno vazio a uma casa de viajantes

A primeira parte da história mostra que o Bonito HI Hostel não nasceu de uma oportunidade pronta. Foi preciso enxergar o potencial de uma cidade ainda pouco conhecida, estudar um modelo de hospedagem diferente, planejar a construção e atravessar meses de baixa ocupação.

O que começou com poucos quartos, uma Kombi e três hóspedes vindos da Holanda cresceu junto com o turismo de Bonito. Ao longo dos anos, a estrutura mudou e os viajantes também, mas o objetivo de oferecer hospedagem acessível, convivência e apoio durante a viagem permaneceu.

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Hospede-se no Bonito HI Hostel e conheça Bonito com apoio local

Hoje o hostel oferece suítes privativas, quartos compartilhados, piscina, café da manhã, áreas de convivência e atendimento para organizar passeios e transporte na região.