Regras que nasceram do cuidado com todos
Em uma hospedagem compartilhada, o descanso de uma pessoa depende do respeito da outra.
O Bonito HI Hostel sempre recebeu viajantes com ritmos diferentes. Algumas pessoas chegavam depois de um dia inteiro de flutuação, trilha ou cachoeiras e queriam descansar cedo. Outras preferiam conversar nas áreas comuns. Havia famílias, estudantes, estrangeiros, grupos e viajantes sozinhos dividindo o mesmo espaço.
Foi dessa convivência que surgiram regras mais claras sobre silêncio, uso das áreas coletivas, segurança, lavanderia, cozinha, piscina e horários. A decisão de não permitir festas dentro da hospedagem, por exemplo, não tinha o objetivo de tornar o ambiente rígido. Era uma forma de preservar o descanso de quem escolheu Bonito para aproveitar os passeios e a natureza.
Com o passar dos anos, Luiz Octavio percebeu que uma regra só funciona quando é comunicada com clareza e aplicada de maneira igual. Essa experiência ajudou a profissionalizar a operação e a reduzir situações que poderiam atrapalhar a viagem dos demais hóspedes.
Hospitalidade não significa permitir tudo. Significa acolher bem, explicar com respeito e cuidar para que todos possam aproveitar a estadia.
- Horários de silêncio para garantir o descanso.
- Uso responsável das áreas compartilhadas.
- Regras de segurança aplicadas a todos.
- Comunicação antecipada sobre a rotina da hospedagem.
Viajantes que chegaram a Bonito depois de cruzar países e continentes
O hostel virou ponto de encontro de pessoas que carregavam a própria viagem nas costas ou sobre duas rodas.
Entre as lembranças mais marcantes de Luiz Octavio estão os ciclistas e mochileiros que incluíram Bonito em jornadas muito maiores. Nos primeiros anos, um viajante japonês apresentou um álbum com registros de sua rota entre o Nepal e a Terra do Fogo. Um casal alemão também passou pela cidade durante uma longa viagem de bicicleta.
Em 2001, o hostel recebeu Argus Saturnino, ciclista mineiro que naquele período iniciava uma volta ao mundo sobre duas rodas. No mesmo ano, um jovem de 18 anos saiu de São Paulo com destino a Bonito. A equipe acompanhou sua chegada com preocupação e admiração, e ele recebeu uma semana de hospedagem como reconhecimento pelo esforço da viagem.
Também passaram pela casa um viajante norte-americano que alternava caminhada e caronas, um inglês que seguiu viagem depois de apenas uma noite e ciclistas franceses percorrendo o Brasil. Em novembro de 2008, um deles chegou a Bonito depois de pedalar cerca de 130 quilômetros em um único dia.
Essas histórias reforçaram o papel do hostel como uma casa de passagem, encontro e troca de experiências. Muitas vezes, uma conversa no salão ajudava alguém a escolher a próxima rota, entender melhor o destino ou simplesmente recuperar as forças para continuar.
Cuidar da água, plantar árvores e preservar o que já existia
Em Bonito, proteger o ambiente nunca foi apenas um tema para os passeios.
O cuidado ambiental também fazia parte da rotina de Luiz Octavio. Ele valorizava a sombra das árvores, observava o impacto do calor na cidade e defendia que cada pessoa deveria plantar e preservar ao longo da vida.
Essa preocupação apareceu em atitudes práticas, como o plantio de árvores, a manutenção das áreas verdes e a implantação de um sistema para coletar e armazenar água da chuva. Em uma cidade reconhecida pelos rios de águas transparentes, usar os recursos com responsabilidade sempre fez sentido.
Nem todas as iniciativas nasceram prontas. Muitas foram sendo adaptadas conforme a estrutura crescia e novas necessidades surgiam. O importante era transformar uma ideia em hábito: economizar água, evitar desperdícios, conservar os espaços e orientar hóspedes e equipe.
“Se você caminha sob a sombra das árvores nos dias quentes, plante algumas durante a sua vida e preserve as que você não plantou.” — Luiz Octavio Campos
Aproveitamento da chuva e atenção ao consumo na rotina da hospedagem.
Plantio, sombra e manutenção das áreas verdes como parte da estrutura.
Orientação para que hóspedes e equipe também participem desse cuidado.
Uma hospedagem que aprendeu a equilibrar liberdade, segurança e acolhimento
Os episódios mais inesperados ajudaram a melhorar procedimentos e prevenir novos problemas.
Administrar um hostel significava lidar com situações que dificilmente apareceriam em um manual. Ao longo dos anos, objetos foram usados de maneira inadequada, equipamentos foram instalados sem autorização e áreas coletivas receberam usos que poderiam gerar risco ou desconforto.
Em vez de transformar esses acontecimentos em motivo para julgar pessoas, a experiência serviu para revisar processos. Um equipamento recreativo montado em uma passagem durante a noite, por exemplo, mostrou a importância de exigir autorização prévia e sinalização. O uso indevido de um item de segurança reforçou a necessidade de controle e orientação.
Aos poucos, a administração passou a antecipar problemas. Avisos ficaram mais claros, funcionários receberam procedimentos definidos e os espaços foram organizados para reduzir riscos. Esse aprendizado contínuo foi essencial para que o hostel crescesse sem perder o ambiente descontraído que sempre atraiu viajantes.
Boa gestão também é aprender com o que aconteceu ontem para oferecer uma experiência melhor amanhã.
2012: começa uma nova fase
Luciano chega a Bonito para trabalhar ao lado de Luiz Octavio
Em 2012, Luciano Terra Campos da Silva chegou para ajudar o pai a dar continuidade ao Bonito HI Hostel e Pousada e à Agência Bonito Ecological. A partir daquele momento, a história da família passou a reunir duas gerações trabalhando no mesmo destino e enfrentando juntas as mudanças do turismo.
Luiz Octavio carregava a experiência de quem construiu o projeto desde o início, conhecia a rotina da hospedagem e acompanhou o crescimento de Bonito. Luciano trouxe um novo olhar para atendimento, vendas, comunicação, tecnologia e organização de roteiros.
Essa união não apagou as diferenças entre pai e filho. Pelo contrário: decisões, ideias e formas distintas de trabalhar fizeram parte do processo. O ponto em comum era manter o negócio ativo, atender melhor os viajantes e continuar adaptando a empresa a cada nova fase.
O hostel e a agência passaram a funcionar de forma cada vez mais integrada. Quem se hospedava podia receber apoio para organizar passeios, transporte e deslocamentos, enquanto a experiência diária com os hóspedes ajudava a entender melhor as dúvidas reais de quem visita Bonito.
O que permaneceu
Princípios construídos durante décadas de hospedagem
Esta fase deixou aprendizados que continuam presentes na rotina do Bonito HI Hostel e Pousada e na forma de atender quem viaja para Bonito.
Regras existem para proteger o descanso, a segurança e a experiência coletiva.
Estrutura, atendimento e processos precisam acompanhar as mudanças dos viajantes.
Cuidar da água, das árvores, dos espaços e das pessoas faz parte da mesma história.
Uma nova geração pode renovar o negócio sem apagar o caminho de quem começou.
De 2012 a 2026: a história de Luciano no hostel e na agência
O próximo capítulo será contado por Luciano e acompanhará sua chegada a Bonito, os primeiros anos trabalhando com o pai, as mudanças na hospedagem, a evolução da Bonito Ecological, os desafios do turismo, a transformação digital e tudo o que aconteceu até 2026.
Será uma continuação mais pessoal, mostrando como uma empresa familiar atravessou novas fases sem perder a ligação com a cidade e com os viajantes.
Leia a história completa
Os capítulos do Bonito HI Hostel e Pousada
A escolha por Bonito, o projeto, a construção e os primeiros hóspedes.
Os desafios profissionais e as decisões que formaram a identidade da hospedagem.
Regras, viajantes, sustentabilidade e a chegada de Luciano em 2012.
De 2012 a 2026: hostel, agência, mudanças, desafios e novos projetos.
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