História do Bonito HI Hostel – parte 2

Continuação:

Marketing Tupiniquim


Com todos esses anos morando e trabalhando em Bonito, observei também a chegada dos oportunistas que são aquelas pessoas que trazem um progresso indesejável e se aproveitam da simplicidade e da ingenuidade da maioria para tirar proveito.

O progresso é inevitável, aliás, quando chequei em Bonito esperava que o progresso viesse e rápido. No entanto, quando ele vem, trás consigo muita coisa ruim, além é claro, do que é bem vindo. Aprendi na escola que para atrair o progresso toda a região precisa de bons meios de comunicação e de transporte, ou seja: o transporte que vai depender das estradas, dos rios, dos aeroportos, das linhas telefônicas. E hoje em dia temos a necessidade da Internet e outros como por exemplo, TV a cabo ou via satélite, etc.

Até final de 1999 o asfalto ainda não chegava em Bonito e a Internet estava começando com aquele acesso discado que era um problema. No finalzinho de 1999 o asfalto chegou em Bonito e tudo mudou com ele. A rodovia pavimentada e a Internet inauguraram uma nova era em Bonito, o antes e o depois como um divisor de águas. Era o progresso que estava chegando e tirando Bonito do anonimato. Mas nem tudo que reluz é ouro, pois o progresso vem, trás muitas coisas boas mas junto com elas vêm no embalo muitas coisas indesejáveis, coisas além de tudo supérfluas. E geralmente quem trás as coisas ruins, não é flor que se cheire, via de regra pessoa perigosa e quase sempre oportunista. São os chamados nuvens passageiras, do tipo que anoitecem mas não amanhecem. Quando dão por falta deles, já era. Dai dizem: vazaram na calada da noite e levaram tudo.

Mas isso aí, acontece em muitos lugares. Antes do asfalto isso não ocorria porque com estrada de terra era muito arriscado fugir, além de uma fuga demorada. E os pilantras naquele tempo nem sabiam a respeito de Bonito, souberam através da mídia que passou a divulgar o destino a partir do inicio de 2000 – Seculo XXI.

O que os oportunistas, Analfabétos Numéricos trazem e continuam trazendo para Bonito são os hábitos das grandes metrópoles, os supérfluos e outras coisas que Bonito não precisa, não combina com o tipo de turismo ecológico da região.

Muita gente que desconhece o turismo ecológico esta vindo para Bonito trazendo seus hábitos e seus equipamentos de Marketing Tupiniquim. E o que é Marketing Tupiniquim ? É a maneira de divulgar o destino, é prometer o que não vai ser possível cumprir e outras formas exdrúxulas de lidar com um lugar no qual tudo deve ser simples. Outras características dos Tupiniquins: a ousadia excessiva, a falta de ética profissional, o egoísmo, além da hipocrisia. Eles também são extrovertidos e gostam da autopromoção, isto é, estão sempre falando das suas qualidades, tipo: eu sou o melhor, eu sou o dono, eu sou o presidente, eu sou o preferido, etc. Nunca utilizam nós, sempre eu e não têm o espírito de equipe. Só olham para o próprio umbigo.

Hipocrisia – Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação.

A forma extrovertida e da autopromoção são características ou vicios que se completam e se reforçam.

Na verdade o turismo ecológico não combina com vip ou chique, é um tipo de turismo diferente, no qual o visitante terá que enfrentrar as variáveis do tempo – as condições metereológicas. Se estiver Sol e calor, ele vai caminhar e suar, vai respirar poeira e com certeza terá contato com os inesquecíveis mosquitos. Se estiver chovendo ele vai pisar na lama e vai se molhar. No entanto, os tupiniquins vivem oferecendo em suas propagandas um turismo Vip. Vejo ás vezes anúncios assim: Seja Especial em Bonito,…etc. Ora, mas como é que um turista vai ser especial em Bonito ? Na minha opinião, todos os turistas que vêm para Bonito são especiais, porque estão vindo para conhecer a nossa cidade e as maravilhas da natureza do nosso município, sobretudo porque estão trazendo dinheiro que gera e mantém os empregos.

Há também propaganda assim: Especialistas em Bonito. Nossa ! Para mim o têrmo especialista deve ser usado para definir as áreas profissionais de um médico ou de um advogado ou de um engenheiro, quando você pergunta qual a especialidade dele. Como é um especialista em Bonito ? Não sei, vou pesquisar para saber quem ministra tal curso. Podemos dizer que a nossa agência de turismo é especialzada no turismo ecológico de Bonito, mas especialistas é exagerado.

Antes de viajar com a minha família fiz pesquisas na Internet e me deparei com uma propaganda assim: tal e tal,…pacotes sob medida. Nossa ! Eu fiquei rindo sozinho e pensei: mas como será que é o tal pacote sob medida ?! Imaginei o alfaiáte do meu pai tirando as medidas para fazer os ternos dele. O cara não tem a mínima noção de marketing.

Fiz um curso rápido de marketing para adquirir noções básicas e me lembro da moça que o ministrou comentando sobre essas pérolas inventadas por certas pessoas que, via de regra, têm o efeito inverso, isto é, ao invés de atrair interessados, elas repelem – como diz o ditado: o tiro pode sair pela culatra. E é verdade, pois eu não cliquei naquela que oferecia pacote sob medida, nem mesmo para ver do que se tratava, se tinha alfaiáte com aquele fita métrica. Uau !

“Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor”.
[ Albert Einstein ]

São exageros linguísticos que o povo brasileiro vêm pegando, talvez por influência do inglês dos USA, como por exemplo o duro de aguentar e de ouvir gerundismo. Tempos atrás uma funcionária da nossa reserva dizia ao telefone para um turista: eu posso estar reservando para a senhora e depois a senhora pode estar depositando o sinal de bloqueio. Imediatamente eu ensinei a ela como devia ser a mesma frase corretamente: eu posso reservar agora e dentro de 48 horas a senhora efetua o depósito. Ponto !

Outro exemplo de coisa Tupiniquim é colocar atendentes super produzidas, com trajes que lembram mais as aeromoças, todas muito maquiadas, etc. Estamos no interior do Mato Grosso do Sul e trabalhamos com turismo ecológico, de forma que os visitantes estão procurando por novidades, coisas diferentes dos lugares de origem. É como nos Salões do Automóvel, nos quais colocam aquelas garotas todas híper produzidas, uma dentro do veículo e a outra encostada em um dos pára-lamas para atrair os marmanjos que vêm babando ver as curvas,….do carrão !

A falta de originalidade é tamanha que, ou vivem copiando a mesmice ou invetantam essas babaquices que não emplacam, mas pegam sempre alguns trouxas.

“A estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência; a inteligência tem seus limites, a estupidez não”. [ Claude Chabrol ]

Então, baseando-se nessas e outras, é importantíssimo estudar e se dedicar em uma área a fim de não virar um Tupiniquim Analfabeto Numérico, cego e surdo. E depois que você pegar um diploma, mesmo que escolha outra área diferente da sua, vai saber o caminho certo para aprender sobre outras áreas, não irá sair dando tiros no escuro. Temos que repelir e rejeitar esse tipo de gente que abusa da ingenuidade de muitas pessoas.

“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler, mas não lêem” [ Mário Quintana ]

Usando a cabeça as idéias surgem


Antigamente, no tempo do meu avô, ainda era possível um Zé Ninguém começar algo de fundo de quintal e depois de algum tempo se transformar em um industrial milionário. Naquela época um cara com um caminhão velho começava a transportar mercadorias e depois de um tempo virava uma grande transportadora, como foi o caso do avô de um amigo meu. O avô de outro amigo começou construindo casas e pequenos comércios na cidade de São Paulo, conseguiu formar o filho engenheiro civil. Daí em diante, pai e filho construiram um império e hoje a Construtora da família é uma das mais famosas. Outro exemplo foi o do finado Sebastião Camargo que nunca estudou e construiu a tão famosa e enorme Empreiteira Camargo Correia.

Ainda no meu tempo, quando me formei engenheiro civil no final da década de 70, ainda era possível dar uma dessas tacadas. Eu comecei minha vida profissional construindo casas para vender em São Paulo em sociedade com um amigo também engenheiro. Mas depois de 3 anos percebemos que o ganho não era vantajoso. Daí peguei uma obra grande para fazer centenas de casas populares para uma empresa do pai de um amigo. Fiquei fazendo casas populares por quase 4 anos, até que o Ministro da Fazenda, Delfim Netto, acabou com o BNH – Banco Nacional da Habitação e todas as contruções desde casas até apartamentos ficaram paralizadas por anos. Lembro-me de que fiquei sem trabalhar na construção por mais de 8 meses e a inflação da moeda galopava, na década de 1980 bateu nos 916% ano ano, foi uma loucura !

Mas fui à luta, tinha os amigos que fabricavam queijos em Minas Gerais e outros que eram donos de dois motéis. Então virei vendedor ambulante de queijos e mussarelas. Eu tinha uma Brasília – não era amarela, era branca – na qual eu transportava as caixas de queijo e ia distribuindo nos motéis. A princípio os dois motéis dos amigos, depois outros e depois eu já estava com vários clientes até no bairro onde eu morava, Moema. E eu já ganhava o suficiente para bancar as depesas do aluguel do meu apartamento e mais despesas domésticas. Mas não dava para sustentar mulher e dois filhos pequenos, meus pais me ajudaram.

Era um tempo de inflação que a cada mês subia mais, era o tempo da tal indexação que foi inventada pelo Delfim Netto para que a inflação não consumisse o poder de compra da moeda. Então, se hoje eu tinha mil Cruzados, no final de 30 dias eu só teria metade ou até menos, pois a inflação chegou a bater na casa dos 50 % ao mês. Era uma agonia porque se você tinha um dinheiro, tinha que aplicá-lo no overnigth para fazer render, mesmo de um dia para o outro. Foram anos difíceis nos quais as maquinetas de mudar preços nos supermercados trabalhavam dia e noite. Você esta comprando um produto e o cara já estava ao lado com a maquininha para atualizar o preço. Não existia código de barras, tudo era na base da etiqueta. A maioria dos produtos subia diariamente em torno de 2 por cento. Naquela época o Brasil não era aberto ás importações de carros principalmente, de forma que nossos veículos eram muito ruins – como depois disse o ex Presidente Fernando Collor: nossos veículos são verdadeiras carróças. E estava certo, pois logo depois vieram os carros importados e a industria nacional foi obrigada a evoluir e competir.

“Os três grandes fundamentos para se conseguir qualquer coisa são, primeiro, trabalho árduo; segundo, perseverança; terceiro, senso comum”. [Thomas A. Edison]

“Existe algo mais importante do que a lógica: a imaginação. Se a idéia é boa, a lógica deve ser jogada pela janela”. (Alfred Hitchcock)

“Muitos dos fracassos da vida ocorrem com as pessoas que não reconheceram o quão próximas elas estavam do sucesso quando desistiram”. [Thomas A. Edison]

As soluções dos problemas só aparecem se você colocar o seu cérebro para pensar. Todas as idéias sempre vieram quando eu estava pressionado, ou porque cometi um erro e tinha que corrigí-lo em tempo ou porque era questão de resolver ou perder tudo: a moral, a confiança da maioria e até o cliente. O seu cérebro tem capacidade para resolver o que você precisar, basta que você tenha vontade e ponha ele para trabalhar.

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”. (Albert Einstein)

É bom saber que os maiores inventos sempre surgiram nas guerras pela necessidade de sobreviver, ter os melhores e mais avançados materiais bélicos para ganhar e não morrer e para forçar o fim delas e restabelecer a paz. Mesmo a guerra fria contribuiu e muito. Nas guerras as cabeças pensantes não vão para o front, ficam pensando em novas idéias. Dizem os estudiosos no assunto de guerras que uma guerra se ganha com os erros do adversário.

Nossa vida profissional é uma eterna competição, como uma guerra sem tiros, sem mísseis e sem mortes. A concorrência esta em todos os setores da economia e ela estimula as novas idéias, novos inventos, novos métodos de trabalho, etc.

A ética profissional é uma das ferramentas mais importantes para um empresário moderno encontrar o sucesso e a simpatia de todos, sobretudo dos seus empregados.

Quando comecei a trabalhar com o Hostel, logo em seguida tive problemas com a falta de ética de muita gente. Sem experiência no ramo do turismo, percebi que eu teria que continuar usando a cabeça para enfrentar a difamação que ocorria e ainda ocorre em vários pontos por onde passam os turistas. É comum a ocorrência dos piratas que são uma espécie de agentes clandestinos que atuam nas rodoviárias, aeroportos e mesmo em hotéis e hospedagens. Até taxistas muitas vezes pirateiam seus passageiros, na tentativa de encaminhá-los para um hotel ou outro comércio nos quais ele ganha gordas comissões.

Os piratas normalmente abordam mais os estrangeiros que são presas mais dóceis. Falando inglês e outros idiomas, eles oferecem pousadinhas e hotéis baratos para faturar comissão e depois oferecem passeios da região. Se o turista diz que já tem tudo reservado em outro local eles queimam aquele estabelecimento, isto é, difamam, falam que é caro, que sabem de casos de roubo de turistas. Eles também queimam destinos para tentar desviar os turistas para outra região. Esse método é bem comum quando turistas descem nas rodoviárias de Campo Grande e de Foz de Iguaçu ou nos aeroportos. Falam para os turistas que caiu uma chuva forte e as águas dos rios de Bonito ficaram sujas, a fim de desviar os turistas para o Pantanal. Hoje em dia são poucos, mas ainda atuam.

A Reviravolta


Eu imaginava estar no caminho certo, estava ficando muito bem de vida, a construtora estava com muitas obras e eu meus amigos já estavam dizendo que eu estava ficando rico. Vieram as eleições para Presidente e o eleito Fernando Collor confiscou o dinheiro do povo, cada brasileiro ficou com apenas 50,00 cruzeiros ou cruzados, nem me lembro mais de tantos planos e mudanças de moeda que passamos. Mas eu ainda tive sorte porque não tinha dinheiro guardado e as minhas obras não podiam parar. O dinheiro nas contas da construtora podia ser usado para o pagamento dos salários dos funcionários e assim, logo eu estava com tudo equilibrado. Meus amigos não, a maioria ficou em situação ruim, alguns quebraram.

O país continuou com e economia instável, a inflação reapareceu e tudo voltou como era antes de Collor, até que ele renunciou e entrou Itamar Franco com Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Economia. No ano de 1994 ele inventou a tal de URV – Unidade Real de Valor que se transformou meses depois no Real e acabou com aquela inflação maluca. Sem inflação muitos bancos ficaram em péssimas condições e acabaram fechando ou sendo engulidos por outros maiores. E os maiores foram diminuindo de tamanho, fechando várias de suas agências e as obras foram minguando. E como eu construia para os bancos, fui ficando sem obras.

As obras maiores terminaram e eu não tinha outras para remanejar os empregados. A solução foi a demissão em massa. Eu ia vendendo bens da empresa e demitindo os mais novos, depois os demais, até que um dia sobraram apenas os funcionários administrativos que eram quatro. Mas eu não tinha mais o que vender da empresa e passei a vender os meus bens pessoais. Quando fui no Ministério do Trabalho fazer a rescisão do meu último empregado, eu já estava acabado, triste e desanimado. Eu pensava: – tanto sacrifício, tanta luta e morrer na praia. Finalizada a rescisão entrei em um bar e comecei a beber cerveja e chorar até anoitecer. Foi uma das piores noites da minha vida. O trabalho de tantos anos reduzido a quase nada. Sobrou um Uno usado, o meu apartamento e uma casa de campo que eu não conseguia vender.

Alguns dias depois alguns conhecidos donos de construtoras concorrentes me ligaram perguntando o por que de eu ter fechado a minha empresa. Eu respondia que eles sim eram loucos de continuar com o país naquela situação de paralização total e desemprego. E quem estava certo, eu o eles ? Os anos passaram e provaram que eu estava certo, pois quase todos eles quebraram e eu ainda sai com alguma coisa e não quebrei, não fiquei com dívidas, principalmente com os meus empregados. Eu tive 142 empregados registrados em carteira no ano de 1989 e paralizei as atividades em 1994 sem um único processo trabalhista.

Como diz o ditado: o mundo dá voltas. Verdade absotula, hoje você esta por cima e outro dia poderá estar no fundo do poço. O tempo resolve tudo, tanto para melhor, quanto para pior. Precisamos dar tempo ao tempo, não se pode atropelar o tempo. Hoje em dia sinto que a maioria quer resultados imediátos, como na Internet que você clica e em milésimos de segundo aparece algo.

O cara abre um negócio pensando que em poucos dias vai bombar e não bomba. É claro que não vai gerar resultados imediatos, pois temos que preparar a terra, adubá-la, plantar, rezar para chover para um tempo depois colher os frutos. A satisfação vem do trabalho, da luta diária que é aplicada no seu negócio.

Eu nunca imaginava um dia mudar para o fim do mundo como dizia meu pai e alguns amigos, mas mudei para Bonito no interior do Mato Grosso do Sul, uma cidade que naquela época era totalmente desconhecida. Lembro que achei um mapa antigo dentro de uma caixa onde estavam guradados livros e pertences meus da época do ginásio. Procurei no mapa a cidade de Bonito e não a encontrei. Aliás, o Mato Grosso nem tinha sido dividido e se transformado em dois estados: MT e MS.

A reviravolta aconteceu, mudei primeiro para o interior de SP e depois de alguns anos para Bonito.

Os amigos


Muitos amigos vieram me visitar, digo, vieram conhecer Bonito e me visitaram porque eu estava aqui e com o Hostel. Penso que dificilmente eu receberia a visita de algum amigo se estivesse morando por exemplo em Nioaque ou em Naviraí ou qualquer outra cidade qualquer do interior do MS.

Um dos meus amigos disse que me admirava porque eu era o único amigo aventureiro que tinha feito algo totalmente diferente dos outros em um lugar diferente.

Alguns dias antes de sair de Avaré, em SP, encontrei um amigo que me perguntou o motivo de eu ir embora daquela cidade. Eu disse a ele que lá eu não teria futuro porque aquela cidade era pequena e muito provinciana. Ele então falou: não é isso, é que você é muito grande para esta cidade. Talvez ele tivesse razão.

O importante é ficar sempre atento porque o Brasil é um país gigante que tem muitas regiões desabitadas que logo se destacarão como polos de variadas atividades econômicas, turísticas e outras. Sendo pioneiro e um bom profissional você terá grandes chances de sucesso porque você será um profissional necessário na ocasião e ficará conhecido e talvez famoso com o seu negócio. Quando você chega em uma cidade ou região na qual tudo esta pronto e preenchido, suas chances são pequenas, pois já estão formadas as panelas e nelas dificilmente se consegue entrar.

Daí o filho diz para o pai: – O Sol nasceu para todos. E o pai fala: – sim meu filho, mas vem aqui para debaixo do guarda-sol, para não pegar uma insolação.

Então, tenho cabeça de engenheiro e a engenharia é uma Ciência Exata que prega que 2 + 2 = quatro. Significa que se eu chego em uma cidade com idéia X ou Y e minha pesquisa diz que tudo já esta pronto e preenchido, eu não vou me candidatar a ser mais um para dividir o bolo.

Outro amigo me dizia que esse negócio de romantismo não vira. Como assim ? E ele disse: – é o cara que fica sonhando um dia montar um barzinho ou uma pousadinha numa cidadezinha lá,…na casa do chapéu, onde ele esteve uma vez. O cara que pensa assím dificilmente terá sucesso. E muita gente tem esse perfil.

Certa vez minha filha foi me buscar no aeroporto de Congonhas e vi um Outdoor com propaganda de um curso para aprender a administrar uma pousada. Ou seja: era um curso que ensinava pessoas para ser donas de pousadas. Minha Nossa ! Daí eu vi outra nas imediações da Av. Brasil. Eu até liguei para tirar informações e achei muito louco porque a pessoa que me atendeu disse que todos os horários estavam lotados, que eu precisaria entrar na fila de espera até que abrissem outro grupo. Eu então conclui que muita gente romantica estava fazendo o tal curso com o objetivo de montar uma pousadinha.

Eu nunca sonhei com uma pousadinha, eu projetava um negócio profissional como acabou acontecendo porque eu até hoje trabalho em cima de dados estatísticos que me possibilitam projetar o futuro a curto e médio prazo. No Brasil ainda é arriscado o longo prazo.

Moradia

Grande parte dos negócios de hospedagem não decolam porque seus donos não sabem separar o domicílio do seu comércio, isto é, eles habitam com suas familias no mesmo local da hospedagem. O local de trabalho deve ser exclusivamente para o trabalho e estritamente profissional. A familia deve morar em uma casa que fique afastada da pousada ou hotel ou da agência de turismo. Se um integrante da família for trabalhar na hospedagem ele deve ser um funcionário como outro qualquer, deve cumprir horários como os demais empregados. Deve dar o exemplo e evitar intimidades.

Morar no ambiente de trabalho é errado. Pode valer por um curto período mas depois os donos devem ir morar em uma casa que será o lar da familia.

Lembro-me de uma pousada administrada por uma família, onde me hospedei no Ceará. Era uma bagunça generalizada porque os filhos, ainda bem jovens, chegavam da escola e invadiam a sala de TV e lá ficavam como se a sala fosse da casa deles. Lá eles gritavam, brigavam, comiam salgadinhos e sanduíches sujando o chão, as mesas. Havia um tio deles, deficiente mental, que circulava pelos variados ambientes, resmungando silabas e frases imcompreensíveis, babando pelos cantos da boca e sempre esfregando os genitais. Fiquei apenas uma noite e mudei de hospedagem, claro ! Incrível como a maioria não tem desconfiômetro, acha que os hóspedes vão suportar conviver com crianças e ainda pessoas doentes. Sem condições.

Parentes e amigos


Uma ocasião, um amigo arrendou uma pequena pousada no litoral de SP que ficava bem em frente á praia. Eu alugava uma boa casa na mesma praia e descia para Ubatuba quase todos os finais de semana e feriados prolongados. O local da praia que nós ficávamos era em frente a pousada do meu amigo porque ele tinha um barzinho bem estruturado e um forno a lenha. Só que meses depois ele devolveu a pousada porque não dava lucro. O problema foi que ele lotava a pousada com os amigos e parentes que nada de lucro geravam, pelo contrário, ocupavam os poucos quartos e ainda consumiam alimentos e bebidas. Amigo e parente, hein !

Também já vi gente montar lam house e os próprios familiares e amigos ocuparem as máquinas com o games e no final de alguns meses o negócio faliu.

Um amigo comprou uma van para transportar turistas em Bonito e região, só que ele começou transportando os hóspedes do Hostel de Bonito e eu sempre o alertei para que ele não ficasse dando carona para amigos e vizinhos e também evitar de levar junto a esposa e filhos. Ele até andou dando algumas caronas a pedido da esposa, mas em uma delas, além de levar de graça uma mulher com duas crianças, ele teve que parar a van por dois dias para limpar o vômito de uma das crianças e o líquido do frango que a mulher carregava e vazou ao descongelar durante a viagem. O cheiro ficou impregnado no tecido de um banco e no carpete. O jeito foi desmontar tudo e lavar e lavar seguidas vezes. Daquele dia em diante ele nunca mais deu carona e a esposa dele nunca mais pediu para ele levar alguém. Ele tem sempre um bom argumento na ponta da língua. Diz que tem um transporte de turistas para tal lugar ou vai buscar turistas em tal local e não pode misturar turistas com outras pessoas, etc. Pior é dar carona e ainda ter que ouvir do caroneiro que aquela música que esta tocando ele não gosta ou que o ar condicionado esta fraco ou gelando demais ou ainda o cara pedindo para parar para fazer um xixí. Ainda pior é o caroneiro pedir para entrar naquela cidade porque ele tem que entregar algo ou pegar algo na casa de fulano. E quando o cara esta cheirando mal ou peida durante a viagem !! Vixx !!

Esses tipos de negócios pequenos só geram algum resultado se forem muito bem administrados e com amigos e familiares bem longe. Se você abre um negócio, seus amigos devem te ajudar e não te atrapalhar, te incomodar. É muito difícil falar não ? Realmente é, mas há muitas maneiras de negar, a mais sincera é sempre a melhor. Você deve explicar que dali você tira o seu ganha pão, o leite das crianças, etc.

Os amigos têm que te dar lucros e quando eles abrirem negócios, você vai lá dar lucro para eles. Isso chama-se comércio.

Antes perder amigos do que o seu negócio, o leite das crianças e ainda ganhar prejuízo. Pense bem, pois na hora que você falir, garanto que os seus amigos estarão bem longe.

Olha só

Não há que ser forte. Há que ser flexível.

A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros.

O vento não quebra uma árvore que se dobra.

A FILOSOFIA DO BONITO HOSTEL / HÁBITOS ADM


Respeitamos a filosofia básica da Hostelling International que prega a integração entre os hóspedes oferecendo o conforto básico, etc. No entanto, cada Hostel deve se adaptar à sua região, seu público mais frequente, clima e outras variáveis. Então, passados em torno de 4 anos nós já tínhamos adquirido certa experiência e o Hostel foi ganhando a sua personalidade, suas características.

Desde o início das operações sempre aparece um(a) brasileiro(a) questionando o fato de não termos TV nos apartamentos. Outros artefatos vez ou outra são solicitados, como por exemplo o tal do Frigobar, a geladeira para hóspedes e outros. Então nós já temos as respostas na ponta da língua e uma delas é: – para ter TV, frigobar e outros equipamentos o custo da nossa diária seria mais alto, igualando-se ou superando valores de diárias de hotéis. Sem dúvida que o custo iria aumentar e muito, pois só o capital para a compra de TVs e frigobar para tantos apartamentos seria muito alto. Haveria também o custo da manutenção desses artefatos, sem contar o problema de ter que ouvir de muitos hóspedes as seguintes frases: – olha, a TV do meu apto. não esta pegando bem. Outra frase: – não achamos o contrôle remoto da nossa TV. Mais: – o nosso frigobar não esta gelando.

Além disso tudo, sabemos que a TV inibe o diálogo e a integração entre os hóspedes iria se reduzir muito, pois quando há uma TV em um apto., o turista ao voltar do passeio ficaria dentro do quarto assitindo novelas e/ou qualquer outro programa, deixando de se integrar aos demais, bem como, de solicitar o passeio do dia seguinte.

Outro motivo pelo qual não temos esses aparelhos é porque 65% dos nossos hóspedes são estrangeiros e nesses anos de operação, nunca ouvimos deles algum pedido para TV ou freegobar. A nossa TV do salão de convívio Sky não é utilizada pelos estrangeiros porque eles preferem conversar com outros turístas, jogar sinuca ou baralho ou continuar lendo um livro ou dar uma volta na cidade para ver o que eles não têm em seus países de origem. Nós então concluímos que a integração entre os hóspedes é muito mais valiósa do que TV e outros apetrechos que só iriam produzir maiores custos das nossas tarífas, além de gerar problemas. Preferimos manter o custo o mais baixo possível e com isso aumentar o fluxo de hóspedes.

O custo do Bonito Hostel é alto porque temos muitos empregados, dentre eles, vários bilingues, todos registrados em carteira e vários com curso superior. Nossa margem de lucro é pequena e para manter a equipe e o Hostel funcionando, temos que ter uma boa taxa de ocupação, um bom fluxo de turistas, mesmo nos períodos das baixas temporadas. Nos meses das altas temporadas nossos ganhos sobem, mas temos que fazer caixa para manter o Hostel nos meses das menores taxas de ocupação. Na verdade, os resultados positivos das altas estações ficam provisionados para custear o Hostel nas baixas estações.

As reformas são planejadas com boa antecência, os custos são levantados e os recursos provisionados. Também analisamos as linhas de créditos no Banco do Brasil e, se forem vantajósas em termos de juros, prazo de pagamento e pouca burocracia, entramos com os pedidos. Os veículos são sempre financiados, mas não dá para comprar zero KM.


Política


Nunca gostei de política, aliás, eu detesto política. Se eu gostasse, com certeza já teria sido vereador e talvez até Prefeito de Bonito. Mas não é minha praia.

“A política é a condução dos assuntos públicos para o proveito dos particulares”. (Ambrose Bierce)

Quando eu estava construindo o Hostel, havia um rapaz de nome Vicente que era muito falador, contador de “causos” e nas rodadas de tereré era só a voz dele que se ouvia. Um dia ele contou sobre um candidato que durante a campanha ia nas fazendas conversar com o povo morador da área rural, levando seu projeto, suas promessas. Vicente então contou que esse candidato dava um par de botinas para quem fosse votar nele, mas com um detalhe: entregava apenas o pé direito, o pé esquerdo só entregava se o eleitor votasse mesmo nele. Daí eu perguntei ao Vicente: – Mas como ele ia saber se o cara votou nele ? Vicente respondeu: – o candidato intimidava, pedia o título de eleitor e fingia anotar o número, como se ele pudesse saber se o eleitor tinha mesmo votado nele, e a maioria acreditava e depois da eleição ia cobrar o pé da botina, falando que tinha votado nele. Lembrei-me deste causo porque recebi um exemplar de uma revista de hotelaria e nela veio um encarte com o pé direito de um chinelo descartável daqueles que oferecem nos motéis e hotéis. Fiquei procurando o pé esquerdo do tal chinelo e nã achei. Será que eles vão enviar no próximo n° da revista ? Essa tal de “Bolsa-Familia é o maior veneno do Brasil, o que mais gera vagabundagem.

Pior é que as coisas não mudaram muito, né ?

“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. (John Kenneth Galbraith)

“A burrice é contagiosa – o talento, não”. (Agripino Grieca)

Desde que votei pela 1ª vez, não me lembro de ter ido votar com vontade, sempre fui forçado a votar porque no Brasil somos obrigados a votar por força de lei. Com certeza, se aqui no Brasil a votação fosse facultativa como acontece nos Estados Unidos, eu não teria votado em alguns pleitos. Aliás, teve um tempo que eu justificava o voto porque já morava em Bonito e eu preferia assim. No entanto, como os Prefeitos de Bonito eram muito ruins, resolvi transferir meu título para Bonito a fim de votar em um candidato que denomino de menos pior.

“Não espere que a solução venha do governo. O governo é o problema”.
(Ronald Reagan)

 

A Lei do Mínimo Esforço – Aprendizado


Minha experiência de vida como profissional engenheiro durante mais de 17 anos e mais outros tantos anos como responsável pelo Bonito Hostel me ensinou que a maioria das pessoas pratica a Lei do Mínimo Esforço que vou chamar de LME.

Você que esta lendo e pretende um dia ter um Hostel ou uma pousada, não se iluda, leia primeiro saiba como as coisas são de verdade.

Um dos exemplos que mais caracteriza a LME é quando o fumante lança sua bituca ou, como dizem os cariocas, a guimba de cigarro no chão ou ali do lado, e não no cinzeiro que esta bem na frente dele. O fumante já incomoda muita gente e me incomoda muito porque todos os dias, ao chegar no Hostel, eu vou catando muitas bitucas e coisinhas que os hóspedes lançaram ao redor do estacionamento e ao lado do salão de jogos, ao redor da pisicina, outros. Detalhe: eu sou fumante ! Mas não fumo em ambientes fechados, não fumo dentro da minha casa e não lanço as guimbas em qualquer lugar, uso os cinzeiros ou apago o cigarro na água ou com o pé e depois jogo em algum cesto de lixo.

Baseado na minha experiência com a LME, há muitos anos ensino meus funcionários como o ser humano é, como ele é preguiçoso e folgado. Quer um exemplo clássico ? O sujeito vai sentar em uma espreguiçadeira ao redor da piscina para tomar banho de Sol, mas a cadeira que esta limpa e alinhada com as demais não esta na posição que ele quer. Então ele arrasta a cadeira e a coloca bem na passagem das pessoas, exatamente no corredor de circulação. Ele só pensa nele, como se estivesse sozinho na casa dele. Pior, alguns colocam a espreguiçadeira praticamente embaixo da ducha da piscina ! E lá ficam obstruindo a passagem dos outros hóspedes que querem usar a ducha para tirar o suor ou produto protetor solar. Ainda pior é que o sujeito depois que cansou do Sol, larga a cadeira, copos, bitucas e garrafas lá mesmo. É bom ficar claro que em Albergue não há garçon e serviçais como nos hotéis. A gente conta com a colaboração e solidariedade justamente para continuar com as tarífas econômicas. Se o sujeito quer mordomia que se hospede em um hotel, mas lá ele vai pagar pelas mordomias.

Temos um exemplo diário que também prova a prática da LME. O sujeito quer jogar Sinuca, aliás, a maoria quer enfiar as bolinhas nas caçapas, nos buraquinhos. A mesa de Sinuca esta protegida com uma capa preta para evitar poeira e água de uma possível chuva com vento. Daí, ele ou ela, arranca a capa como se fosse um impecílio, uma barreira e a joga no chão ou sobre a mureta de qualquer jeito. Acabam de jogar e não cobrem a mesa como ela estava antes do jogo. Se a capa foi jogada no chão, ficará lá e pisoteada. Quando por acaso um hóspede retira a capa delicadamente, dobra e a coloca sobre uma mesa, nós o aplaudimos e o cumprimentamos. Quando é um estrangeiro nós dizemos: – Congratulations, sir !

Tudo isso e mais dois acidentes com queimaduras nos levou a proibir o uso da churrasqueira. Mas por que tivemos que proibir ? Simples, porque a maioria não respeita e abusa da boa vontade. A maioria come e bebe muito e depois larga tudo lá sujo e emporcalhado para nós limparmos, além da fumaça descontrolada que polui o ambiente porque a maioria não sabe fazer fogo ideal de churrasco e as môscas que vêm lamber a sujeira. Os churrascos são realizados pela equipe do Hostel quando temos grupos que pedem com antecedência e assim nós oferecemos para os demais hóspedes.

Também desistimos de promover as Ceias de Reveiilon e as festas do Carnaval pelos mesmos motivos. Todos querem ajudar e participar mas depois ninguém ajuda, fica só na participação e sobra para o staff. Foram 7 anos de maravilhosas festas, até no Natal nós fazíamos, mas depois cansamos da falta de colaboração e respeito.

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