Culinária de Bonito

Conheça um pouco sobre os hábitos alimentares de Bonito e região.

O Estado do Mato Grosso do Sul nasceu com a divisão de Mato Grosso em outubro de 1977. Seus primeiros habitantes surgiram com a descoberta de ouro no Centro-Oeste do Brasil, no final do século XVI e durante 400 anos a região fez parte do Estado de Mato Grosso.

Os índios foram os primeiros habitantes da região, preparavam uma dieta à base de carnes de caça – porcos do mato: catetos e queixadas. Também as capivaras e veados – peixes e frutas nativas.

Com a chegada dos conquistadores espanhóis pelo lado oeste do rio Paraguai, seguidos posteriormente pelos portugueses vindos do leste, novos hábitos foram incorporados, muitos deles permanecendo até os dias atuais.Com o início das Entradas e Bandeiras – Os Bandeirantes – no final do século XVI, é que os espaços do interior foram conhecidos.

Um novo capítulo começava a ser escrito em nossa culinária com as refeições de viagem, limitadas pela enorme falta dos ingredientes habituais que permitissem o preparo de uma boa comida. Surgia assim a necessidade de improviso e do intercâmbio de costumes alimentares, e às vezes a fome se tornava uma companheira de viagem.

As influências da Argentina, Bolívia e Paraguai estão presentes na culinária do Mato Grosso. O cozido argentino foi adaptado e recebeu milho verde e banana da terra. Do Paraguai veio o hábito de beber tereré, parecido com o chimarrão gaúcho, mas gelado. Os chineses também trouxeram seus costumes alimentares, como o sobá, o yakimeshi e o yakisoba.

A alimentação básica do estado é o arroz, o feijão, a carne, a mandioca e a farinha de mandioca.

Carnes Exóticas

Carne de Jacaré: a parte mais nobre do corpo do animal que é aproveitada é o rabo. É uma carne branca e consistente. Lembra muito a carne de frango mas tem um leve sabor de carne de peixe de água doce. Pode ser servida frita ou ensopada como os peixes.

Javali: Dentre os animais exóticos, houve na segunda metade da década de 90, uma explosão na demanda por carne de Javali, trazendo para este ramo, um grande número de empresários na região sul e sudeste do país. Apesar de muito procurada por sua qualidade e sabor, a carne de Javali é difícil de preparar.

Javonteiro: carne extremamente leve e saborosa, só conhecida nas regiões circunvizinhas ao pantanal. O nome Javonteiro nasceu porque existe o Porco Monteiro do Pantanal que lembra um Javali.

Vitelo Orgânico do Pantanal: Vitelo é um gado de 08 a 12 meses de idade, criado de maneira extensiva no pasto nativo do Pantanal. A carne é macia e saborosa. O Vitelo é o principal produto do projeto de Desenvolvimento Sustentável da Região.

A comida típica do Pantanal

Culinária pantaneira, antes da construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil (finalizada em 1914) tinha uma dependência do rio Paraguai: navios estrangeiros ali aportavam, trazendo mercadorias, passageiros e consequentemente seus costumes (geralmente fronteiriços).

Deste período destacamos o “puchero” (cozido) da Argentina, que é diferente do similar mineiro; do Paraguai veio a chipa, a sopa paraguaia e o locro (ver receitas); de Cuiabá as farofas de banana e de carne, o pacu ensopado, frito ou assado, e o caribéu (abóbora com carne seca).

Merece destaque especial o TERERÉ, também de origem paraguaia. Trata-se da mais popular bebida sul-matogrossense, uma espécie de chimarrão dos gaúchos, preparado com a erva mate (Ilex paraguariensis) e bebido frio ou gelado. Sua chegada deu-se através das cidades fronteiriças de Ponta Porã e Bela Vista, região rica em ervais nativos, que tiveram muita importância na formação do Estado através da histórica Companhia “Matte Larangeira”.

Depois da finalização da estrada de ferro ligando Corumbá a Santa Cruz de La Sierra, a Bolívia contribuiu com a saltenha e o arroz boliviano (espécie de rizoto com ervilhas, banana da terra frita, pedaços de galinha, ovos cozidos e milho verde).

Na culinária sul-mato-grossense como um todo, destacam-se ainda:

Pequi (fruta típica do nosso Cerrado), utilizado tanto no preparo de um prato salgado (arroz com pequi) como na forma de licor;

Forrundu (doce feito de mamão e rapadura de cana); 

Guaraná (ralado na hora, é substituto do cafezinho, estimulante e renova energias);

Quibebe de mamão

Suco ou caldo de piranha (é forte e renova energias); 

Bocaiúva (fruto nativo que pode ser usado como farinha, com leite quente ou no preparo de sorvetes); 

Peixes variados (pacu, dourado e pintado, entre outros); 

Churrasco pantaneiro (servido sempre com mandioca); 

Carne seca (em paçoca, cozida, frita, assada, no arroz, etc); 

Doces de época (caju, goiaba, carambola, abóbora, doce-de-leite na palha – Três Lagoas e Campo Grande). 

Por quê em todo o Churrasco Pantaneiro sempre é servida a Mandioca Cozida como acompanhamento ?

Bom, não se sabe ao certo, mas um homem muito idoso, pantaneiro dos antigos, uma vez respondeu a esta pergunta da seguinte forma: “Ólha meu filho, a carne vermelha de qualquer espécie animal é sempre um alimento pesado na digestão e a mandióca cozida forra o estômago e ajuda a digerir a carne. Ele convenceu”.